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Pesquisadores do PEAC apresentam trabalhos no XI Encontro da Sociedade EPTICC

  • 02-06-2026

Pesquisadores do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC) apresentaram dois trabalhos durante o XI Encontro da Sociedade de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPTICC), realizado entre os dias 19 e 23 de maio, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte (MG). Com o tema “Imperialismo, colonialismo e soberania na periferia do capitalismo”, o evento reuniu pesquisadores de diferentes regiões do país para debater os desafios contemporâneos da comunicação, da tecnologia e das lutas sociais.

Um dos trabalhos apresentados foi “Automação e soberania de dados: o relato de experiência do Projeto ExDRop no Observatório Social dos Royalties, de autoria das pesquisadoras Juliana Lago (UFS), Verlane Santos (UFS) e Jean Claudio de Souza (UFJF).


Juliana Lago e Verlane Aragão, pesquisadora e coordenadora acadêmica do Observatório Social dos Royalties, respectivamente. 

O estudo apresenta a experiência de desenvolvimento do ExDRop (Extrator de Dados de Royalties do Petróleo), ferramenta criada para automatizar a coleta de informações sobre pagamentos governamentais nos portais da transparência dos municípios de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Pirambu e Pacatuba. A iniciativa surgiu a partir das demandas do Observatório Social dos Royalties (OSR), com objetivo de superar os limites da coleta manual de dados e ampliar a capacidade de monitoramento dos recursos públicos oriundos da atividade petrolífera.

Além de detalhar os desafios técnicos enfrentados durante a construção da ferramenta, a pesquisa destaca a importância da "engenharia popular" e da autonomia tecnológica para organizações da sociedade civil. A proposta busca democratizar o acesso às informações públicas e fortalecer o controle social por meio de boletins informativos, oficinas, seminários e disponibilização de dados em plataformas abertas. Como resultado, o ExDRop alcançou status operacional, permitindo à equipe do Observatório realizar extrações sob demanda sem depender de serviços externos de hospedagem ou suporte técnico especializado.

O segundo trabalho apresentado foi “Botija dos Povos: mediação para resistência dos povos e comunidades tradicionais”, de autoria dos pesquisadores Mauricio Herrera, Itamar Lima e Verlane Santos.


Mauricio Herrera, Itamar Lima e Verlane Aragão, autores da pesquisa Botija dos Povos: mediação para resistência dos povos e comunidades tradicionais

A pesquisa discute os impactos da educação formal moderna sobre os modos de vida tradicionais e os desafios enfrentados pelas comunidades rurais na transmissão de conhecimentos entre gerações. A partir da perspectiva da Educação Ambiental Crítica, os autores analisam os processos de desvalorização dos saberes locais e o crescente afastamento dos jovens de seus territórios e formas tradicionais de organização social.

Como resposta a esse cenário, o trabalho apresenta o programa Botija dos Povos, iniciativa construída coletivamente entre pesquisadores e moradores da comunidade de Santana dos Frades. O projeto utiliza tecnologias digitais como instrumentos de mediação social e diálogo intergeracional, tendo produzido uma série de cinco episódios de podcast distribuídos por WhatsApp. A proposta busca fortalecer a memória coletiva e promover reflexões sobre a luta pela terra, contribuindo para a resistência cultural e política das comunidades diante das pressões exercidas pelo modelo de desenvolvimento capitalista contemporâneo.

Os dois trabalhos foram apresentados nas Sessões Especiais de Comunicação e Extensão do encontro e evidenciam a diversidade das ações desenvolvidas pelo PEAC, que articulam pesquisa, extensão universitária, educação ambiental crítica e tecnologias de comunicação voltadas ao fortalecimento da participação social e dos direitos das comunidades tradicionais.

A realização do PEAC é uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal conduzido pelo IBAMA.

Programa Peac

O Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC) incentiva o fortalecimento dos Territórios de vida dos Povos e Comunidades Tradicionais. A realização do PEAC é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama.