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Visitas técnicas percorrem trecho terrestre previsto para gasoduto do projeto SEAP

  • 14-10-2026
Pedro Bomba

Lideranças comunitárias e representantes de movimentos sociais percorreram, nos dias 1º e 2 de outubro, parte do território previsto para receber o trecho terrestre do gasoduto do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP). Realizadas a partir de uma proposta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em parceria com a Petrobras e o Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC), as visitas técnicas tiveram como objetivo ampliar a compreensão sobre o traçado, os procedimentos construtivos e as tecnologias previstas para a instalação do empreendimento.

A atividade foi realizada em dois dias e reuniu diferentes públicos. No primeiro, participaram representantes do Movimento das Marisqueiras de Sergipe (MMS), do Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais de Sergipe (FPCT/SE), o Coordenador Geral do PEAC, Prof. Dr. Eraldo Ramos Filho e lideranças comunitárias. No segundo dia, estiveram presentes representantes da Coordenação do Conselho Gestor, o Coordenador Acadêmico do Conselho Gestor, professor Dr. André Luís André, representantes da equipe técnica do PEAC e a analista ambiental do Ibama, Sheila Feitosa. As duas visitas foram acompanhadas do representante da Petrobras em Sergipe, Luís Sávio Barreto; representante da Petrobras de São Paulo, Danilo Justus e representante da Petrobras do Rio de Janeiro.


Lideranças comunitárias visitam trecho terrestre previsto para gasoduto do projeto SEAP | Foto: Pedro Bomba 

O roteiro percorrido das visitas considerou pontos identificados na audiência pública como sensíveis, são os casos dos trechos que atravessam o rio Japaratuba, o rio do Prata e o ponto de chegada na praia. Com previsão de 23 quilômetros de gasoduto no trecho terrestre, as visitas possibilitaram às lideranças conhecerem as características de cada vegetação e as tecnologias que deverão ser utilizadas nas etapas da obra.

Para a travessia dos rios (Japaratuba, Siriri, Siririzinho e rio do Prata), estão previstas duas técnicas distintas de instalação do gasoduto. Nos cursos d’água sem atividades de navegação, serão utilizados, segundo à Petrobras, o método conhecido como cavalote, que prevê a escavação do leito do rio para instalação do duto e, posteriormente, a recomposição do rio. Nesse método, durante a obra, haverá a interdição temporária do curso d’água.

Já nos rios onde há atividade pesqueira e de navegação como é caso do trecho sobre o rio Japaratuba, próximo ao Porto do povoado Aguada, em Carmópolis, está prevista a técnica de perfuração horizontal direcional, método em que não há a necessidade de escavar diretamente o leito do rio. Nesse caso, a perfuração começa em uma das margens e atravessa o subsolo do rio – ao menos 1,5 metros abaixo do leito – chegando à margem oposta e criando o caminho por onde o gasoduto será instalado. Esse método, segundo a Petrobras, busca reduzir a interferência direta sobre o curso d’água e sobre atividades já existentes, como a navegação e a pesca.

Embora as visitas tenham se dedicado ao traçado terrestre do gasoduto, a instalação do traçado marítimo – com extensão de 100km – chamou a atenção de Zuleide Batista, presidente da Associação de Pescadoras e Pescadores de Aguilhadas, em Pirambu. Segundo ela, o impacto dessa instalação não vai atingir apenas os pescadores de alto-mar, mas também as marisqueiras que trabalham com a filetagem do camarão no porto de Pirambu. “Durante a instalação do projeto não será apenas os donos de barcos que serão impactados, mas também as mulheres que dependem da chegada dos pescados e do camarão para realizar a filetagem e beneficiamentos, é importante prevê compensações não só para os pescadores, mas para quem dependem do trabalho desses homens”, explica. 

Conhecimento técnico e conhecimento do território

A visita ao trecho terrestre previsto para o gasoduto do projeto SEAP, permitiu às lideranças comunitárias, confrontar as informações técnicas presentes no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) com os conhecimentos tradicionais sobre o território. Para Rosana Silva, representante do Conselho Gestor e moradora do povoado Arame, em São Cristóvão, a visita esclareceu muitas dúvidas geradas durante a audiência pública. “Hoje foi enriquecedor porque estamos tendo um entendimento a mais sobre o SEAP que não foi possível ter na audiência pública. Somos nós que estamos na comunidade e sabemos os impactos que podem acontecer com esse empreendimento, por isso foi importante fazer essa visita, tirar dúvidas e ver de perto o que está sendo planejado”, afirma.

A representante do Movimento de Marisqueiras de Sergipe (MMS) e liderança do Movimento de Pescadoras e Pescadores do Brasil (MPP), Arlene Costa, moradora do povoado Porto do Mato, complementa que empreendimentos como esses devem ter a participação das comunidades. “Não é justo fazer um empreendimento dentro do nosso território onde as pessoas não tenham entendimento do que está sendo colocado. Saímos da audiência com muitas dúvidas, mas essas visitas foram esclarecedoras. É importante que os lucros desses empreendimentos também venham para as comunidades, que gerem empregos e que tenham retorno para as comunidades”, explica.


Representantes do Conselho Gestor, equipe técnica do PEAC, representantes da Petrobras e representante do Ibama no Porto do Povoado Aguada | Foto: Pedro Bomba 

Segundo Luís Sávio Barreto, representante da Petrobras em Sergipe, as visitas aos locais previstos para instalação do traçado de 23 quilômetros de gasoduto permitiram não só um melhor esclarecimento às lideranças, como também uma oportunidade de escuta sobre as preocupações das pessoas com relação ao empreendimento. “Um projeto desse porte deixa as pessoas apreensivas porque estamos falando de comunidades que já são impactadas de diversas maneiras por outros tipos de empreendimentos, então realizar essas visitas foi uma oportunidade de esclarecer o que vai ser feito, como vai ser feito, explicar as tecnologias que serão utilizadas e as medidas para que os impactos sejam minimizados. Além disso, esse momento se torna importante porque nos permite escutar e compreender as preocupações das pessoas com o empreendimento”, esclarece. 

Para os próximos meses, o Ibama está prevendo a realização de novas reuniões setorizadas nas regiões sul, centro, norte de Sergipe e em Alagoas com objetivo de ouvir as comunidades e substanciar o processo de licenciamento ambiental.

A realização do PEAC é uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal conduzido pelo IBAMA.

Programa Peac

O Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC) incentiva o fortalecimento dos Territórios de vida dos Povos e Comunidades Tradicionais. A realização do PEAC é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama.